Atenção POLÍCIA ESTA CONTA E MEU COMPUTADOR ESTÃO SENDO UTILIZADOS POR BANDIDOS A MINHA REVELIA
[ este texto de minha autoria já havia sido publicado na internet, porém não constando na lista dos "meus blogs" que consultei hoje (11/08/2016), quando iria apor algumas correções. O texto está revisto e não contem erros de digitação. Qualquer erro ortográfico ou hiatos de sentido devem ser creditados a sabotagem de invasores da conta.]
Em 2025: ao rever este blog, constatei que está totalmente alterado. Os trechos da apresentação, I, II e III correspondem ao texto inicial que se seguia porém por um estudo das interpretações conhecidas do mito de Eros e Psiquê, como por exemplo a do junguiano Robert Johnson, no livro intitulado "Ela", interpretações que como a dele - que coloca a individuação na Grécia Antiga - critico em minha interlocução, que continha também informação sobre a história da recepção do mito e temática correlata, a que acrescentei a minha leitura própria. Todo o meu trabalho nesse blog foi portanto roubado, com agravante de ter aparecido aqui textos meus que eu não lembro de forma alguma ter relacionado a esse meu estudo sobre o mito de Eros e Psiquê. Ignoro quem possa ser acusado de ter cometido tal ignomínia.
Retirei daqui o texto que foi acrescentado sem qualquer autorização minha ou sequer informação de tamanha desfaçatez, tamanho mal caráter manipulando documentos do meu computador ofline e online. Estive na cyberdelegacia há doze anos atrás para registrar queixa contra invasão computacional em minha conta blogspot na internet que já havia sido constatada mas a polícia no Brasil apenas respondeu que não tinha nada a ver com isso.
A interpretação do mito
Eliane Colchete
escrito em 2012
A
linearidade da leitura do mito é o que se propaga quando ele é
disseminado na outra palavra, no outro gênero, na sua paradoxal
contrafacção “best-seller” - feita contudo como se fosse o
próprio - assim o intelectual que é já personalidade e até
feitio de corpo, em vez de ocupação, nas conhecidas versões dos
“tipos” de pessoas, de que abusam os “ misticismos”. A essa
altura a antiga frenologia já mudou para reflexologia, tendo
deslocado-se para os pés – quem tem os artelhos tortos sofrerá
de melancolia.
Aqui,
em vez da sua reprodutibilidade, pretendo examinar a duplicidade do
mito, a ambiguidade do que ele aparentemente “conta” - pois o
outro da sua leitura espreita a cada palavra que utilizamos para
“contá-lo”.
O
Eros, como sabemos, submete psiquê à prova, mas ela não obtém
êxito nisso. Ao desobedecer, expõe-se à errância, e é por
compaixão – uma das faces de Eros, obviamente – que ele a
resgata.
Mas
por que o Eros se fere nas setas, em consequência de que se apaixona ? Se o Eros se
fere, podemos jogar
com as palavras, então ele tem uma alma – ele erra,
ele titubeia.
Em vez de ser interpretável somente como redutível a um princípio
intelectual, uma realidade da alma que nela, porém, está sempre
beirando o afastamento, por que a alma está unida à matéria, e o
princípio é somente ideia, puro ser.
Os
princípios intelectuais como o amor, a justiça, a soberania, etc.,
sendo o inteligível, como na interpretação neoplatônica, é a
alma que participa deles ou que os contempla ou que neles reside
enquanto somente alma – mas de fato a alma é a parcialidade do seu
espelhamento da matéria. A alma reside, no autêntico dela mesma, no
princípio; mas o princípio, em relação a alma, é um outro;
tratando-se de Eros é um duplo que acompanha a alma, como o anjo da
guarda cristão.
Mas
os princípios intelectuais personificáveis como deuses, mesmo não
sendo duplos desse modo do Eros pessoal, desempenham o mesmo papel
em relação à alma do que é ao mesmo tempo natureza,
autenticidade, identidade; mas mediato, interposto pelo que é avesso
ao princípio, a materialidade, a contingência, a fugacidade, o
ininteligível no entanto pensável, falável ou factível, como o
erro. Eles são duplicados apenas enquanto sendo princípios ideais,
são também deuses personificados.
Eros
não apenas erra, ele também
proíbe – nenhuma
pergunta
pode vir de Psiquê. Nenhuma curiosidade quanto à identidade de
Eros, isso tanto mais eles vivem juntos no mesmo palácio “erótico”.
Psiquê não pode divisar o semblante oculto de Eros, mas pode
usufruir da sua convivência. Se Eros errou, feriu-se – não
podemos nós aventar
que é a alma já
atuando que o faz precipitar o móvel do seu apaixonar-se? O poder,
algum poder da alma
é o que está sob
a restrição da mais severa censura ao
pensamento, censura
porém inscrita na
cena inicial do mito.
A
alma é pura passividade no manifesto,
no que se conta. É
o objeto do amor e da proibição; como sujeito (da ação), é
somente da imperfeição e do erro; é a sujeição aos trabalhos
materiais impostos por Venus, mas nem isso ela propriamente
desempenha, sendo intermediada pelos seres da natureza; é quando
desiste de esperar que alcança o que almeja tão arduamente, mas
como objeto da compaixão e/ou da sabedoria do perdão de Eros.
Se
nos detemos, porém, no erro de Psiquê, vemos que ele consiste em
Perguntar. Ela recircula, portanto, aquilo que havia ficado latente
como censura antes
da proibição, o
inevitável pensar do poder da alma sobre Eros, ou da contaminação
do anímico no inteligível – os deuses tem alma? Isso
é o que foi proibido perguntar? Não sabemos bem o que não pode ser
objeto de saber, mas entendemos o que era objeto do
desejo – ver o
semblante do amado. Contemplar
o princípio
inteligível, inversamente a Plotino, tornou-se o transgressivo
prescrito na legislação do mito!
Se
lêssemos o mito como um símbolo do poder da alma, isto é, como sua
agência, o que contaríamos seria que Psiquê precipita o
apaixonamento de Eros; ele resiste ao seu poder, ou teme que ela o
sobrepuje, mas isso porque ele confunde seus próprios sentimentos
de amor com sentimentos de posse, de domínio – ele quer tê-la
sem que ela
propriamente seja por sua conta o que queira ser,
em vez da
interpretação habitual de que ela quer somente “ser sua esposa”,
quer “fazer tudo quanto ele queira”. Um tanto jocosamente isso
significando apenas, na linguagem do intérprete corrente do mito de
Eros, que ela
aceita obedecer à proibição dele por que está, muito
naturalmente, “dominada” por ele – no “bom” sentido do
termo, isto é, apaixonada. Poder aqui está num sentido oposto a
autoridade ou arbítrio, superioridade sobre o que se subjuga –
inversamente, este é o caso da proibição de Eros. O “poder” da
alma é sua potência, a efetividade do que ela faz sentir a outrem.
Mas
continuando o nosso relato de
Psiquê, ela o
enrola, mesmo sem premeditação: finge aceitar as suas leis, mas
assim que pode, traz a luz para contemplá-lo. O que esse ato implica
não é somente algo feito às escondidas – ela é quem
faz ver a ele a
impossibilidade de resistir ao desejo. Mas essa impossibilidade
é Eros – a sua
face contemplável. A alma é agora o duplo de Eros, é ela quem o
guia para que ele se encontre a ele mesmo.
Ele
resiste, na errância da alma que é a sua, a afirmar a essência
erótica que é desejo ou materialidade, o efetivo do ser. Mas a
impossibilidade disso já estava inscrita desde sempre, não
imediatamente por ser a alma “irresistível”, mas inversamente,
por ser ela mesma o que não é capaz de resistir, ainda que seja o
irresistível dessa alma que torna Eros aquiescente
ao encontro da proscrita Psiquê, ou o que o torna incapaz de
resistir à escolha do perdão.
É
a alma que possui a sabedoria da essência – pelo que não há
contraposição radical possível do ser ao ser, da essência à
materialidade, dos acontecimentos à efetividade, dos princípios à
sua contaminação recíproca, na sua precipitação ao conteúdo da
experiência que é somente em que eles se tornam pensáveis.
Há, sim, um
intervalo impreenchível do ser inscrito na letra ao pensar, do ser
ao saber da palavra. Complementaridade, aparentemente circular, do
princípio ao relato onde ele se desconhece como tal, economia da
palavra que deve trazê-lo à afirmação
do efetivo; do
ser, ao
histórico do
acontecimento,
que se duplica num pensável em termos do inteligível ou princípio,
a ideia.
Essa
afirmação, contudo, a palavra falseia, ou instaura na ambiguidade,
enquanto a afirmação se efetua
na experiência -
nesse caso, do perdão. Ela falseia necessariamente, pois não pode
dizer a duplicidade do acontecimento e do que nele se libera senão
como ideia, pensável. O princípio é deus e Eros; se ele atua a
reaproximação, a ideia é sua face compassiva que une os momentos
do relato no desfecho feliz que o realiza enquanto amor. Mas o
acontecimento é o cancelamento da transgressão, se
é que houve alguma. Pois,
podemos ler como se o que tivesse tido lugar fosse a errância do
Eros, figurada na aventura da alma e suas obrigações impostas no
afastamento. Confusão do Eros: ele se pensa como posse e domínio,
como unidade da voz que proíbe o desejo autônomo e comanda o
sentimento alheio, mas precisa aprender que amar é dom da
alma que cede por
ser impossível não ceder, que participa dos dois domínios,
sensível e inteligível, e se espelha, que só se
compreende no
elemento da alteridade.
Alma
elevada a princípio:
ser da alteridade que espelha o trajeto do outro. Experiência
da pertença, Eros: em vez da identidade tautológica do princípio
consigo mesmo, na exterioridade de que não há inteligibilidade.
O
impensável da alteridade foi transposto da filosofia à letra do
mito, mas não sabemos se é isso o que desde sempre o mito
inscreveu. Tudo parece contribuir para interpretar o mito de Eros
como a inserção da alteridade no incontornável
pensamento do
desejo, pois esse
mito é ao mesmo tempo o da Alma. O mito de Eros contrapõe-se
ao mito de Vênus. Neste o caráter explícito do desejo vai contra
as aparências de que se trata da tematização da alteridade.
Inversamente,
há um ingrediente exibicionista no mito de Venus que não consta no
mito do Eros. O desejo não é propriamente desejado quando se trata
de Venus, ele é imediatamente o cumprimento e a necessidade desse
cumprimento. O desejo é reinserido na tautologia do princípio. Ser
desejado dependeria do desejo ser atribuído a uma alma/sujeito que
deseja, dependeria desse risco da transgressão e da errância, dessa
duplicidade entre o
ser e o saber que
posiciona um intervalo, um movimento, em vez da tautologia, entre o
desejo e o Amor que aceita conceber-se
desejado por outrem
sexuado, por outrem existente.
Alma
faz ver o Amor, mas o que vemos não é o princípio tautológico do
querer, é a alteridade da alma inscrita na trajetória do
amadurecimento do Amor, ou da sua essencialização que não pode,
justamente, estar dada no princípio, pois depende desse outro, dessa
alteridade, da subjetividade que é Psiquê a subjetivar Eros que se
torna o sujeito do perdão, ou seja, sujeito do reconhecimento de
Psiquê como outrem amado e amante, em vez de apenas objetivamente
possuído.
Eros
anímico, o caráter dos princípios se relativiza para tornar
pensável aquilo que a interpretação neoplatônica havia se dado
por tarefa colocar do lado do impensável, do indesejável desejo de
um sujeito – alma
tendente à matéria, em vez de ao princípio, etc. Eros, duplo
sujeito, eis o
vinco ambíguo dobrado sob o relato mítico, da palavra à letra e ao
que ela inscreve.
A
interpretação da interpretação
I
)
A
categoria da interpretação tem estado sob rasura – do mesmo modo,
para alguns, que para outros a ideologia. Ela nos impõe um dualismo
do significado e do signo. Seu jogo reside na reserva dúbia entre
uma semântica restritiva da materialidade do signo, que só está aí
para encobrir o significado; e uma pragmática que não sabemos bem
se deve ficar explícita ou implícita. Se a pragmática da
interpretação se torna explícita, é para liberar mais categorias
cujo papel é restringir o que o sujeito faz à coação semântica.
Tudo o que ele faz é restringir-se à coação. Mas uma tal
pragmática está sempre implícita como presença: a desse sujeito a
quem se endereça o signo portador do sentido, ele também presença.
Interpretação
sugere uma mística do sentido. Ele é nebuloso, está oculto no
texto, envolto no signo. Este não importa. Está anulado pela
pragmática implícita, e no entanto sempre ainda por anular pela
pragmática explícita – atuação das categorias relativas ao
sujeito do endereçamento que posto, está para anular-se; categorias
dessa anulação.
Aqui
a crítica da interpretação chegou a um impasse. Seu pecado
imperdoável: a pragmática implícita. A interpretação depende
de que haja um
sujeito do endereçamento, que haja sujeito em geral, que o signo não
tenha vigência senão por que há sujeito independente
do texto/signo. Mas
a consequência indesejável, pelo que isso
é pecado, pelo qual isso não devia ser assim, é a pragmática
explícita por onde a anulação do sujeito na interpretação
propriamente dita, na recuperação do universal sentido jazente
unicamente no texto/significado.
Mas
não é da crítica essa culpa, e sim da interpretação –
poder-se-ia retrucar. Ou do sujeito; ou de toda economia do signo
como portador de significado, do texto como depósito do sentido de
onde o sujeito tira sua necessidade propriamente hermenêutica. Se há
sujeito, ele é sujeito da interpretação. Ele compreende, mas porque está do lado de cá do sentido, não do lado de lá do
texto/signo. Mas a interpretação só é necessária por que há
signo, e assim ao infinito do círculo da subjetividade.
O
sujeito instala-se na transcendência. Aqui o que existe é
ser/linguagem, a pragmática implícita dessa linguagem que se
endereça, que só funciona endereçando-se a algo acima, na
exterioridade ou na borda, ao olho que observa e compreende, ao
sujeito da experiência possível.
A linguagem, o que
ela atua é a compossibilidade, mas não desde um vazio de sentido no
qual ela escavaria sua mecânica, muito inversamente, dessa
cumplicidade dos sujeitos nela e acima dela, vigentes “aí” e
transcendentes a todo signo situado somente
“aí”. Ao fazer-se na transcendência, no endereçamento, na sua
anulação, a linguagem diz somente e sempre a realidade do sujeito
transcendente, mas quanto a este, só é posto para anular-se como
sujeito da linguagem
Compossibilidade
como cumplicidade, impossibilidade do cálculo universal deslocado
pelo sujeito universal, presença do sentido, pragmática explícita,
tudo isso é uma visão da história. Onde se dá a cumplicidade e o
porquê da pragmática, não só da semântica, ainda que aquela
esteja construída inteiramente no pressuposto desta. O sentido se
desloca ele mesmo, se faz histórico, por que os sujeitos mudam de
sentido na
experiência, na
transcendência a todo signo.
Mas
a linguagem sempre já condiciona o deslocamento – isso é
História, o que está regrado pelo sentido, o que permite conceituar
a experiência com
sentido, o que
impõe a apreensão do sentido na experiência.
Ou isso é
existência tal que um deus só pode ser, em vez de nesse sentido
existir, porque o deus é sem mediação do signo, sem variação de
linguagem. Ele fala o universal na exterioridade de toda língua
especificável, ele fala o resíduo do cálculo, o significado antigo
do universal (idea).
Ele só, para falar adequadamente, atua,
enquanto nós, como
almas, falamos, isto é, indagamos continuamente do sentido e com
isso nos portamos na transcendência que deixou de ser a idealidade,
que se tornou movimento do sentido sobre todo jazer do signo.
O
deus atua o mito, ele é sem mediação linguagem – tudo isso que
aprisiona a interpretação do mito como uma saga do deus-idea, tanto
mais que o que a ideia agora deva autorizar é o transporte do que
atua à nossa possibilidade de fala. Compreendemos a ideia não mais
como ideal, e sim como nossa experiência possível na e com a
linguagem. A existência restou potência na variação dessa
experiência, mas enquanto nada resta na exterioridade do sujeito da
experiência, não há risco algum dessa variação transbordar o ato
que põe a linguagem na transcendência, ao mesmo tempo como ser e
como existência.
Ora,
a transcendência só diz o sujeito. A interpretação só se
justifica para o sujeito na transcendência. Mas se tudo o que temos
é a restância da letra, como é que ainda poderia haver
interpretação – de onde é que surgiu a transcendência? Nada na
letra a instaura, não havendo como contrário desse nada alguma
possibilidade ainda. Nunca inserimos o oposto desse nada como podendo
ser tudo, note-se bem. O oposto do nada seria alguma coisa, alguma
possibilidade da experiência na
exterioridade da letra e ao mesmo tempo no que ela encobre, no
seu mais íntimo. No seu
intimismo -
definimos assim contemporaneamente a saga e a linguagem. A
transcendência. O sujeito.
A
transcendência, movimento da ek-sistência, é o mais íntimo, é
interioridade. O deus recusa intimidade; devemos descartar o signo.
Nesses dois aportes, contudo, o que há é a contrafacção da
oposição do antigo e do atual, pois trata-se entre os dois aportes de um mesmo, quando devia haver um outro. A crítica mais radical à
interpretação.
II)
O
deus recusa intimidades: ele é, sem mediação do signo, o sentido e
a saga. Nós devemos descartar o signo, para na transcendência
portar o interpretável, refazer o caminho e contar a saga a cada vez
que se pronuncia linguagem. Nessa transcendência, na nossa
intimidade e enquanto sujeitos, anulamos a mediação. Os dois
extremos do ser e do existir tornaram-se um e o mesmo. O dualismo
resulta apenas de uma noção mal construída que afirma o que de
fato não sustenta. Ela sempre já pressupõe que a fronteira está
entre o signo e o significado, entre a letra e o sujeito. Que existe
o sujeito, antes ou na exterioridade da letra. Que o que existe aí é
sempre já sujeito: destinatário e atuante da interpretação da
letra.
Em
vez da interpretação teríamos que ter somente leitura – aquilo
que atua é tão somente a letra. Não na sua marca, mas na sua
transgressão, na alteridade do signo sempre outro para
o signo. Para o
outro signo. Mas que restou da interpretação – enquanto signo?
Se não instaurarmos o processo da interpretação, sua história,
nós mesmos estamos atribuindo a ela um sentido na exterioridade da
sua letra, nós a confundimos com uma sua leitura, nós a
transformamos em uma
hermenêutica. Há
somente uma hermenêutica? Por que?
Rasuramos
a interpretação e escrevemos nesse lugar hermenêutica.
Por
hermenêutica inscrevemos o sujeito e a transcendência.
Foi
assim que rasuramos a interpretação, o sujeito e a transcendência,
mas somente, quanto a estes, enquanto sujeito e transcendência da
interpretação.
Inauguramos mais um círculo, um contra-círculo, ou apenas
percorremos ao inverso a mesma circularidade, quando havia um desejo
inscrito de ruptura do círculo, um anúncio de que isso havia sido
feito. Não aconteceu Nada. Nem o círculo, nem a ruptura.
Inscreveu-se um movimento em torno da História, ou da ausência
dela? O desejo na positividade de um processo em processo de se instaurar na positividade do seu dever ser. É isso a que chamamos
Necessidade: a positividade do que ela instaura, mas enquanto apenas
esse instaurar-se da positividade, está o processo na
transcendência? Ou no desejo? Ele deve responder à
questão da sua
Necessidade ou meramente instaurar-se e cumprir-se? Somos o sujeito
dessa exigência dele ser, ou a atuação do seu vir a ser até aqui
somente instaurado no seu dever ser? A resposta depende da letra ou
da sua interpretação? Para onde vai a Hermenêutica?
III
-
Esse
encaminhamento da crítica à interpretação poderia ser
contra-factado pela singela observação de que para a hermenêutica
não se trata da Necessidade, mas sim da Liberdade. O argumento aqui
não é bem, contudo, o eleático – por que há o ser, e não antes
o nada?, ou seja, versando sobre a impossibilidade da atribuição, de
qualquer afirmação regida pela cópula. É sim o argumento
ontológico que pretende provar a existência de Deus pelo fato
indiscutível de que temos a ideia de Deus, nessa ideia está contida
a perfeição de Deus, e na Sua perfeição está contida a
existência d'Ele.
Se temos a ideia da
Liberdade, é por que há sujeito, e justamente transcendente a toda
Necessidade.
Aqui
o recurso da argumentação crítica poderia ser dado como falho.
Mostra a inconsistência do círculo que no entanto já começou ele
mesmo afirmando-se círculo, mas – novamente o caso é “justo”
- instalado como o
lugar da
Necessidade de modo que o sujeito que o afirma o transcende como
Liberdade. A retroação crítica, no entanto, não foi atingida por
esse meio porque ela não porta sobre a eliminação do movimento,
ela somente indaga da preconcepção do movimento em termos de
transcendência. Ela indaga. O movimento pode não ser senão o
perguntar, o deslocar do
não saber, de um
não saber, em vez do não saber ser tradutível imediatamente como
liberdade e operante do deslocamento. Em vez dele ser o Nada. Em vez
da liberdade ser Nada. O não saber é o caráter do signo, é o que
se pode atribuir não primeira ou imediatamente ao sujeito e sim à
letra.
Porta
a letra aquilo que ela essencialmente desconhece?
Nós
dizemos que o signo é alguma coisa que porta sobre outra coisa, mas
agora, ao que parece, a crítica quis corrigir essa afirmação: o
signo é alguma coisa que porta sobre outro signo. Ora, em todo caso
há sujeito. O movimento do portar é o transcender
de que não se fez de fato qualquer superação
– qualquer
metalinguagem,
o que desde o início foi dado como impossível, eis a necessidade do
círculo. Além disso, porém, a crítica pode se manter. Pois, em
todo caso há sujeito, mas o sujeito é o que está para ser anulado
no signo. Somente porta
sobre, somente está
para – eis a
transcendência e o círculo, e o Nada transpondo o horizonte da
Liberdade. Niilismo europeu. Quanto ao Nada, sendo liberdade, nós
só somos livres, só afrontamos o círculo, para constatar que isso
é o que nunca devíamos ter feito, ainda que nunca fosse a nós
possível ter evitado a transgressão, mas se permanecemos vivos é
por que afrontamos a finitude, o nada de nós mesmos na transgressão
do círculo, e regressamos a ele, não o contrário, sendo bem que a
finitude era que nunca de fato dele
poderíamos nos
evadir.
Witter?
Se
há liberdade na exterioridade do círculo, ainda não foi o que a
crítica afirmou seu desejo afirmar.
Mas
a interpretação não afirmou por sua vez nenhum desejo entre a
coisa e o signo. Ela foi dada como hermenêutica. A polissemia aqui
não seria aplicável realmente, e é por isso que o processo é o
que está no lugar do desejo enunciado, apenas. Ele apela a uma
proliferação que não do sentido, mas do termo. A polissemia é a
concomitância de vários significados a um mesmo termo, mas a
proliferação é o banimento de um significado na vigência de
outro. A impossibilidade de ver um significado na vigência do outro.
O
processo é ainda indagação – mas quem
indaga? O que
se indaga é se há um só ou vários termos proliferando-se na
sonoridade/grafia da “interpretação”. Se houve alguma vez a
interpretação da letra, em vez do “signo”. Ou se podia haver.
Indagação que não atribuímos nem ao círculo nem à crítica.
Indagação recursiva da Interpretação.
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espaço dos trechos roubados do meu blog por canalha fascínora nojento prostituta ou quejandos
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